
Tenha um coach. Na vida ou na empresa
Letargia, falta de vontade, insegurança na tomada de decisões? Tenha um coach. Na vida ou na empresa
Lília Barbosa – Sócia diretora da Cozex Desenvolvimento Gerencial. Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute – BCI. É uma das oito profissionais licenciados pela Sociedade Brasileira de Coaching para formar coaches no país. Possui mais de 15 anos de experiência em consultoria empresarial, gestão de pessoas e desenvolvimento de lideranças.
O mundo atual é de uma dificuldade imensa. Competição, ferramentas de internet que aparecem a cada mês, necessidade de mestrados, MBAs, PHDs e outros tantos para ter uma vida profissional melhor. Isso sem falar que ainda nos lembram 24 horas por dia que temos de ter qualidade de vida e vida em família. Pergunto: como?
No entanto, há sim possibilidades de ter tudo isso: sucesso profissional, qualidade de vida e estar com a família. O que a maioria das pessoas não tem é disciplina com seu próprio tempo. Essa é a grande questão. Não existem viciados em trabalho. O que existe é falta de programação de prioridades, ou seja, ausência de foco e ação para fazer a coisa certa e não apenas aquilo que é confortável fazer.
Partindo desses pressupostos, o coaching é bastante antigo. Suas raízes podem ser percebidas claramente nas palavras dos grandes filósofos, no séc. V aC.; Sócrates é um exemplo. O estilo socrático de ensinar aos seus discípulos não contemplava as respostas e sim os questionamentos que ampliavam as perspectivas, o modo de pensar e agir. O termo vem do inglês, cujo significado é treinar e desenvolver aptidões. A palavra tem sua origem inicial vinculada aos esportes. Em 1996, Gallwey, professor de tênis, lançou o livro “O jogo interior do tênis”. Neste livro ele demonstra os resultados que obteve em treinar de forma diferente dos técnicos da época. No lugar de dizer o que o jogador devia fazer, ele fazia perguntas que ampliavam a consciência da pessoa durante o jogo. Na concepção do autor, o maior adversário não é o seu oponente que está do outro lado da quadra e sim você próprio e isso não é diferente no jogo da vida. É exatamente disso que a grande maioria das pessoas, na vida particular ou profissional, precisam: desenvolver ao máximo seu potencial para ser um vencedor no jogo. Isso é coaching: um processo empresarial ou pessoal mais avançado que explora a capacidade individual, das equipes nas organizações empresariais e de seus líderes.
O coaching é um processo, com início, meio e fim, conduzido por profissional qualificado, numa relação de confiança, com vistas a alavancar o desempenho do indivíduo em sua vida pessoal, trabalho ou organização. O maior benefício do processo reside em levar a pessoa à ação, a partir de um objetivo específico. Esta ação pode envolver mudanças que promovem alterações de rotinas, celeridade na consecução das metas, como também transformações profundas do comportamento do indivíduo.
Como em todo e qualquer processo de mudança, o cerne está na vontade do indivíduo e em sua participação ativa no processo, permitindo-se experimentar novas experiências após as sessões. Se o indivíduo esquivar-se de agir e praticar suas “tarefas de mudança”, nada acontece. Ainda como parte central desta mudança, reside a atuação do profissional coach. Para conduzir o processo de coaching voltado para resultados tangíveis, exige-se formação específica, aliada à experiência em comportamento humano e conhecimento organizacional, principalmente quando a atuação é na área executiva.
O líder precisa entender o que é o processo de coaching, antes de dizer que atua como um coach em sua organização. Mas, em realidade, o que é verdadeiramente coaching? Coaching não é terapia, consultoria, aconselhamento, mentoria ou “apenas treinamento”. As diferenças falam por si:
1. A terapia é um tratamento clínico que não tem prazo determinado para acabar, não é processo. Possui forte inclinação ao passado em contraposição ao coaching que não foca passado. A terapia tradicional envolve-se com doenças (depressão, síndrome do pânico, entre outras). O coaching atende a indivíduos funcionais que queiram melhorar ainda mais suas potencialidades. Nesta linha há forte correlação com a psicologia positiva preconizada por Martin Seligman, que trata especificamente de como os indivíduos podem ser mais felizes e plenos, se utilizarem o seu potencial ao máximo e desenvolverem suas capacidades e virtudes.
2. A consultoria é a proposição de soluções para problemas identificados. O consultor aponta e sugere caminhos. O coach, por mais conhecimento que tenha sobre o objetivo trabalhado na sessão, precisa ter a disciplina de não usar estes conhecimentos para dizer o que o cliente deve fazer, mas sim expandir a consciência do cliente na identificação de alternativas, análise de cenários e riscos.
3. O aconselhamento é orientado para resolver problemas ou dificuldades, de forma pontual e ocasional. Há uma visão mais reativa do que proativa. Segundo Hudson, autor do livro The Handbook of Coaching, “coaching não é dar conselhos, não é consertar as coisas ou resolver problemas”, mas enfatizar as forças do cliente e sua melhor utilização para alcançar os objetivos desejados, numa perspectiva de processo.
4. Treinamento é ensinar ou aperfeiçoar habilidades. No coaching desenvolve-se habilidades, criando um ambiente de aprendizagem. Daí a confusão com treinamento. Coaching é muito mais do que treinamento. É necessário criar um ambiente de confiança que desafia os atuais pressupostos, favorece as ideias, descortina novas possibilidades de comportamento e ação, desenvolve habilidades (caso específico do treino) e/ou remove bloqueios (quando se sabe o que fazer, já tentou e não consegue) para haja a mudança efetiva.
5. A mentoria, segundo Kathy Kram, uma das maiores referências em pesquisa sobre mentoria no mundo, é um relacionamento que objetiva o desenvolvimento do indivíduo, no âmbito profissional e pessoal, com duas funções principais: função de carreira e função psicossocial.
Enquanto o coaching favorece diálogos que gera a reflexão, prática de novos comportamentos, com acompanhamento e identificação das evidências da mudança, tanto profissional como pessoalmente. No entanto, para se tornar um coach, o profissional precisa ser treinado para adquirir as técnicas e metodologia de intervenção para evitar resultados desastrosos. Se a profissão tem pontos em comum com as outras citadas, a mesma tem um lado definitivo de disciplina e interação com mútua confiança e profunda isenção, que pode não estar em outros procedimentos. Portanto, cuidado quando a consultoria ou um profissional diz que “faz coaching”. O coaching é estudado e praticado no mundo há mais de 30 anos, mas no Brasil a Sociedade Brasileira de Coaching tem apenas 10 anos. Como tudo o que é novo, todo cuidado é pouco!
Matéria publicada: http://www.tendenciasemercado.com.br/nossos-canais/opiniao/tenha-um-coach-na-vida-ou-na-empresa/
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